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sexta-feira, 28 de março de 2008

Quem não sabe é como quem não vê ...

Na vida prática, nem sempre os acontecimentos seguem uma cronologia natural.
Quando um profissional começa uma determinada actividade, normal será supor que, previamente, tenha tido a preparação adequada após a qual se sentirá habilitado a enfrentar os desafios que lhe aparecerão.
Porém, por vezes, a sequência é alterada em função dos calendários mais convenientes da empresa o que leva a situações como a que vou relatar.

Em 1979, e após 6 anos como IBMer administrativo, ingressei nas vendas no OP.
Concorri a uma vaga do escritório do Porto tendo de imediato "começado a injectar máquinas de escrever" no mercado a um ritmo acelerado ( hahahahaha ) .
Só posteriormente tive alguns cursos de vendas ( quer do ponto de vista técnico quer do ponto de vista de vendas propriamente ditas ) entre os quais um, liderado por um colega da IBM UK, de seu nome McLean, que nas horas vagas, recordo, era polícia em Londres.
Essa acção de formação foi-o para mim e para o Adalberto Melo, e assumiu o carácter de refreshment para o restante pessoal vendedor.
O sujeito era imponente no porte físico e tratava a máquina de escrever aquando de uma demonstração com uma elegância e com um virtuosismo tais que nos deixava a nós, principiantes, com a sensação de que, ao fazê-la perante um cliente, era impossível não assinar de imediato uma encomenda
O final do curso teve lugar num auditório de um hotel em Lisboa onde a apoteose era uma demonstração do dito equipamento ora agora pelo Adalberto, ora agora por mim, frente ao "tribunal" constituído pelos mais antigos vendedores, prontos para nos vexarem enquanto novatos.
Os métodos eram inovadores e desconhecidos daquela assistência o que criava um ambiente misto de gozo e expectativa.
Após o meu exame, excelente, diga-se, seguiu-se o Adalberto.
McLean, porém, preparou-lhe uma surpresa que se inseria no teatro-do-faz-de-conta que pretendia criar.
Desligou a máquina após a minha demonstração deixando-a, propositadamente, na posição de letra maiúscula o que implicava que o mecanismo assumisse uma posição onde a esfera não encaixava.
Subido ao palco, o Adalberto começa por colocar a esfera no sítio certo após o que faz a introdução de circunstância perante aquele enorme "conselho de administração" .
Sou fulano de tal, e ..... bla bla bla.
Imediatamente a seguir, liga a máquina e, escândalo dos escândalos, a esfera é catapultada para o meio da sala num voo hilariante que desconcerta por completo o candidato a vendedor que se viu em palpos-d' aranha para a localizar.
Escusado será dizer que a galhofa foi generalizada para gáudio dos mais antigos embora tivesse tido a sua eficiente pedagogia nunca mais nos esquecendo da verificação daquele pormenor.
À laia de homenagem àquele colega inglês, tiro-lhe o chapéu pelas espectaculares demonstrações que nos ensinou a fazer com aquele objecto, envergonhando-nos pelas que fazíamos anteriormente, "inventadas" por nós, e que só a juventude e o gosto pela venda nos imunizavam contra os desaires daqueles primeiros tempos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tromba Rija 1998

(enviada por Mário Marzagão)


Em pleno Tromba Rija (este pessoal não sabe senão comer).
Helena Freitas, Mário Marzagão, Cristina Semião, João Medeiros de Almeida, Carlos Duarte, Adalberto Melo, José Eduardo Delgado, Teresa Granado, Goulart Ribeiro.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Ainda a convenção de Paris 1984


O grupo do costume (Ja mensionado em varios artigos ) saiu atempadamente para a conveção de Paris. Voamos para Ameterdan, onde peramcemos uma noite. Dia Seguinte e como deve ser, transporte a preceito Ford Transit, fomos direitos a Roterdam para apanhar um Ferryao final do dia para as Ilhas Britanicas onde o porto de destino era Hull , chegamos pela manhã do dia seguinte onde levamos alguns mantimentos nomeadamente uma botelha de Wisky comprada no Free Shop de Roterdam mas de 7 (Sete) litros, que ia na frente entre o condutor e pendura. Só digo isto porque o polícia, na chegada e a verificar os passaportes ficou boqueaberto e perguntou o que era aquilo, o que de imediato alguém responder que era o combustível para o condutor. O policia ia-se passando e explicou que era proibido entrar com bebidas alcólicas em UK. Em funçao da confusão, lá seguinos viagem e fomos dar a volta à Escócia onde visitamos todas as destilarias que nos apareceram na frente indo até ABERDEEN, passamos por Edinburgh e voltadando para o mesmo Porto Hull, para apanhar o mesmo Ferry de Volta a Roterdam, uma noite bem passada naquele sumpetuoso barco, com Casinos e Show e etc. . De manhã depois de sairmos em Roterdam lá estavamos de novo de volta a Amesterdan onde o avião nos levou até Paris.Fomos para o Hotel Montparnessse onde chegamos a tempo para o Gala Dinner. O curioso disto tudo é que a carrinha Ford Transit só fez 120 Kms....na viagem total...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Convenção de Florença em 1981


Cerca de 30 anos dedicados a uma empresa e aí desenvolver toda uma actividade profissional deixa-nos, concerteza, uma quantidade imensa de histórias cujo relembrar é gratificante ainda que muitas vezes penoso pela ausência daqueles que já faleceram e que partilharam connosco algumas dessas histórias.

Quando essa actividade era no departamento de vendas e a empresa se chamava IBM, os bons resultados eram reconhecidos com o direito que se adquiria para comemorar o Hundred Percent Club ( HPC ).

Esse prémio era gozado dentro do continente europeu e os dias destinados ao evento mereciam da parte do meu grupo de colegas, de um upgrade lúdico notável.

Assim, os 3 a 4 dias do HPC eram candidamente transformados numa semana que as nossas famílias consentiam ainda que nem sempre disfarçando um sorrisinho amarelo ...

Uma vez regressados, contadas as histórias e distribuídas as prendas que trazíamos, a "paz" era renegociada para mais um ano.

As loucuras daqueles tempos tinham pouco a ver com os actuais constrangimentos e recordo a convenção de Florença em Abril de 1981 quando ainda era fresca a memória do acontecido a Aldo Moro em Roma

Nesse ano, alugámos 2 Fiats Mirafioris para calcorrear o que tinha que ser calcorreado.

Eu conduzia um deles ; o Francisco Lucas de Sousa, o outro. Os restantes parceiros eram o Carlos Melo, o Adalberto Melo, o Alexandre Belo, o Lima e Silva, o Freixo Nunes, o Trinité Rosa, o Gonçalo Fernando e eu próprio.

Escusado será dizer que nunca a Itália sonhara ser possível fazer-se com um automóvel o que nós fazíamos !

Naquela altura, tento recordar, só eu conhecia a Fontana di Trevi e esse foi um dos grandes objectivos a alcançar - que todos lá fossem tirar a fotografia de família e atirar umas liras para o charco.

Foi uma odisseia pois todas as ruas circundantes à fonte tinham um sentido proibido nas imediações do monumento que nos impossibilitava de lá chegar. Uma coisa era certa, o carro tinha que lá chegar !


Em desespero de causa, optámos pelo sentido proibido não sem que antes tivéssemos passado por uma esquadra de carabinieris perante os quais fizemos de conta que não os vimos ..... e chegámos lá !!

Não recordo como nos safámos da situação mas sei que não fomos presos!

De Roma seguimos para Florença. Era altura de recuperar o bom aspecto pois o regresso a casa aproximava-se.

Depois de instalados, wellcome reception no Palazzo Vecchio.

Passar-se-ia do dia 8 ao dia 11 na cidade sem deixar catedral sem ser vista nem Duomo sem lhe conhecermos a história.

À noite o ambiente de rua ( por onde andámos ) já era "comprometedor", vendo-se a juventude vestida à SS, com botifarras horrorosas, correntes à volta dos braços, e de olhares intimidantes.

Nada que um whiskizito não fizesse esquecer porque nós estávamos lá para o forró, pois então !

sábado, 12 de janeiro de 2008

Ainda Viena 1986

Isto está a animar!

Aproveito para voltar à convenção de Viena em 1986, que não chegou a existir e que o Garcia de Matos já referiu aqui.

Também eu fui uns dias antes, com o Fausto Marques e os nossos cônjuges. Aterrámos em Munique, alugámos um carro e atravessámos a Áustria rumo a Budapeste. E também nós, que de húngaro sabíamos menos que Sócrates de inglês técnico, não percebemos, de todo, o que se estava a passar com o Kadafi e aterrámos no Hilton, em Viena, preparados para o assalto aos pastelinhos do Welcome Dinner.

Convidados / intimados a regressar a Lisboa ASAP, fizemos o mesmo que o Garcia de Matos já relatou: dissemos que o aeroporto era naquele momento perigosíssimo e que ficaríamos em Viena. Com uma variante: como o Fausto era o mais graduado dos presentes, a pressão foi muito grande para que desse o exemplo e obedecesse. Só os nossos dois grupos resistiram e cruzámo-nos várias vezes pelas ruas, como a foto mostra.

Três dias da melhor não-Convenção da História!


De costas, sou eu. Da esquerda para a direita: Lucas de Sousa, os irmãos Melo, Garcia de Matos, José André e Francisco C. da Costa

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Bósforo from Topkapi

Abril de 1986.

Istambul, em direcção a Viena de Áustria onde se realizaria a convenção, chegados de Atenas onde a língua não nos permitiu reconhecer mais do que um certo alvoroço em torno da palavra "bomb" que tentávamos interpretar numa tradução linear, algures na Placa cheios de uma folia que não se compadecia com outra coisa que não fosse uma saudável loucura e longe da célebre operação El Dorado Canyo com que os EUA visavam alvejar Mouammar Kadhafi como retaliação pelos atentados em Roma, Viena e Berlim.

Pelo meio ficam histórias incríveis por contar desde a compra à porta de uma mesquita de 2 metros de tecido com crocodilos da Lacostre para serem depois cozidos nas camisolas sem marca mas que à primeira lavagem "se afogaram" no turbilhão da máquina de lavar ficando completamente destruídos; as viagens de avião que durante aquela semana primavam por levar só 7 passageiros ( nós !!!) tal a imponderabilidade da situação internacional ; a viagem de Atenas para Viena na qual viajámos com um "terrorista" a bordo mas como o tipo não ia bêbado, não pensou nas 27 virgens que tinha à sua espera se o avião caísse, e fez uma viagem horrorosa porque, afinal, tinha nariz adunco mas mais não era que um desgraçado a receber o baptismo de voo; a subida de umas escadas rolantes no aeroporto de Viena em cujo cimo só se viam soldados de metralhadoras e cães e nós encravámos o mecanismo à chegada pois as rodas dos troleys das malas empeçaram-se naquela geringonça e era ver malas a caírem por ali abaixo e nós à frente numa descida desalmada em contraponto com o movimento das escadas ; e finalmente a chegada ao hotel Hilton onde, acto contínuo, nos tentam dar um bilhete de avião de regresso imediato a Lisboa uma vez que a convenção acabava de ser anulada, mas o qual rejeitámos com a desculpa de que tínhamos horror em andar de avião !

A administração "aceitou" que, de facto, nós precisávamos de descansar e por isso acedeu ao nosso "repouso".

A partir daí, e após assinatura de termos de responsabilidade, instalámo-nos principescamente e ali passámos 3 gloriosos dias de verdadeiro fausto.

Depois, alugámos a habitual carrinha e viemos apanhar a TAP a Zurique tendo sido calorosamente recebidos na IBM perante a hipótese de podermos ter sido vítima da situação explosiva que se vivia na Europa e no mundo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Portuguese Spouses Golden Circle


Os idos de 1986, 1987, 1989 e 1990 foram anos memoráveis para mim por traduzirem perfomances profissionais excelentes que, naquela altura, eram premiadas com o famoso prémio Golden Circle.
Viagens para as Bahamas, para o Mediterrâneo num fabuloso cruzeiro a bordo do paquete Eugénio Costa , Creta e Veneza foram outros tantos destinos a fazer jus à fama de tão disputados awards.
Não é sobre esses prémios, porém, que venho aqui falar hoje.
Essas quatro ocasiões deram-me o prazer de viver aquele espírito com um conjunto alargado de colegas de Lisboa e Porto e com os quais, mais tarde, em 1991, todos juntos com os respectivos conjuges, aceitaram o meu desafio de fazermos cá em Portugal aquilo a que chamámos de Portuguese Spouses Golden Circle.
O Certificate of Membership foi passado com todos os efes e erres In Recognition of Achievement of an Outstanding Patience to Assist a Dedicated Husband Between 1986 and 1990.
A ideia era dar um empolgamento semelhante ao verdadeiro Golden Circle, desde a viagem, ao local de destino, ao hotel, às refeições com o tradicional gala dinner, o entertenimento, etc.
Se bem o pensei, de imediato tratei de levar o evento em frente.
O local de destino foi de imediato definido : Palace Hotel do Bussaco !
A data : 12 de Outubro de 1991
Os participantes : Adalberto Melo, André Émonet, António Vila Maior, Carlos Melo, Duarte Penalva, Edmiro, Francisco Carvalho da Costa, Francisco Costa Cabral, Francisco Lucas de Sousa, Garcia de Matos, João Emauz e Madeira de Castro e respectivas mulheres.
Havia que preencher todo o tempo e para isso contratei o célebre restaurante Marquês de Marialva em Cantanhede o qual, através do seu gerente José Rei, se encarregaria de servir o almoço do dia da chegada numas caves da Anadia.
Após visita guiada às mesmas, foi servido um fabuloso leitão assado, em mesa corrida entre as pipas, regado com a oferta do champanhe por parte das caves.
A coisa começou bem !
Após este primeiro impacto com a realidade daquele que seria um gastronómico e opíparo fim de semana, dirigimo-nos para o Palace .
Simplesmente soberbo !
Acomodados nos diversos aposentos, entregue um pocket money simbólico, aguardava-nos um jantar de gala no salão nobre da casa.
A ementa tinha sido previamente escolhida se bem que o André Emonet, e com recurso ao Petit Larrousse, se propunha não comer chanfana pois a tradução que arranjou dizia-lhe que tal eram bofes !!
Na altura, o director do hotel era um tal senhor José Santos, entrado na idade, poliglota, um verdadeiro gentelman, que num francês corrente, dá a explicação técnica da confecção daquele prato típico da região e o nosso homem perde-se de gula e opta igualmente pela cabra velha em forno de lenha.
O repasto foi digno dos deuses !
Os discursos, as fotos para a posteridade, a entrega de lembranças e o dia seguinte que ainda faltava, preenchiam as expectativas criadas.
A idade permitia ainda deitarmo-nos de barriga cheia e o sono foi retemperador !
Alvorada a tempo de nos deliciarmos com um pequeno almoço rural, foi o prenúncio de novo manjar, agora no Marquês de Marialva.
Com o estômago a pedir tréguas, o regresso a Lisboa foi calmo e registado nas memórias de cada um a pedir um encore que tarda .....

Sagrada Família - 1987


Era este o espírito "familiar" reinante na IBM.
O postal de boas festas para clientes foi devidamente adaptado à modernidade numa encenação La Féria like.
Desconheço se o BCP, a TAP, as companhias de seguros, e todos os outros teriam recebido esta versão da nossa solidariedade natalícia ....